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VULTOS DO ESPIRITISMO

NESJ - Núcelo Espírita Segue a Jesus


Eurípedes Barsanulfo


EURÍPEDES BARSANULFO

NESJ - Núcelo Espírita Segue a Jesus
Instruir o povo de todas as formas, era seu lema.

 

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Biografia de Eurípedes Barsanulfo
Euripedes Barsanulfo, nascido em 01.05.1880 (Dia do Trabalho), em Sacramento – MG. Eurípedes foi recebido num lar modesto, cercado pelo carinho familiar, era o terceiro dentre os 15 filhos do casal Hermógenes Ernesto de Araujo (Seu Mogico) e Jerônima Pereira de Almeida (Dona Mecca).
Desde a infância tinha interesse pela arte, demonstrava interesse pelo belo.


Também foi um bom auxiliar na educação dos irmãos menores, seu pai era gerente de uma casa de Secos e Molhados, Eurípedes aos 5 ou 6 anos já ajudava o pai no trabalho.


Aprendera Eurípedes, com 6 anos as primeiras letras na Escola Pública dirigida pelo Professor Joaquim de Mello Junior, com esse mestre aprendeu a ler e fazer contas. Em seguida ingressou no Colégio Miranda. Jovem ainda (12-13 anos) fundou um grupo teatral em Sacramento. Aos 16 anos abriu uma farmácia homeopática para auxiliar os doentes da periferia, que ele visitava todas as manhãs. Participava  ativamente da igreja, era católico, querido por toda a cidade, co-fundador da Irmandade São Vicente de Paulo.


Pretendia fazer medicina, porque não quis abandonar a mãe doente, desistiu dos estudos superiores. Era autodidata, dedicou-se sozinho ao estudo da homeopatia. Aos 20 anos lançou a Gazeta de Sacramento. Por dois anos Eurípedes publicou artigos nesse semanário, abordando os mais variados assuntos, inclusive,  literários. Aos 22 anos fundou, junto com outros professores o liceu Sacramentano, compreendia que a transmissão de cultura às crianças e jovens era, antes de tudo, uma missão evangélica.


Por volta de 1903, Eurípedes recebeu das mãos do Padre Maia, um exemplar da Bíblia, cuja leitura o envolveu de forma brilhante. Tudo era belo, expressivo, como se já conhecesse. Mas, quando chegou ao Sermão do Monte, sentiu-se confuso, procurou o padre para ser esclarecido. Porém, o padre Maio, carinhosamente, lhe diz que tudo ali estava claro e não merecia questionar a palavra de Jesus. Cheio de dúvidas e incertezas, se entristeceu, não era a imagem que ele trazia de Jesus. Ele não poderia deixar dúvidas em seu Evangelho.


Instruir o povo de todas as formas, era seu lema. Foi vereador, jornalista,
professor e secretário da Irmandade São Vicente de Paulo.


Seu tio Sinhô Mariano, residia num lugarejo chamado Santa Maria, lá frequentava o Centro Espírita Fé e Amor, fundado em 1900. Apesar de querer bem o tio, Eurípedes discordava dos seus princípios mas, com todo respeito, ouvia os comentários do tio que com entusiasmo, contava-lhe das belas reuniões. Certa vez, Sinhô Mariano percebeu o pensamento do sobrinho mas sentiu dificuldade em argumentar por causa da sua pouca cultura. Porém compreendendo a importância do momento, Sinhô Mariano entregou ao sobrinho o livro de Léon Denis “Depois da Morte”, dizendo-lhe: “-Quem sabe possa este livro traduzir-lhe meu pensamento e esclarecer os seus, quanto às palavras de Jesus”. Eurípedes passou a ler o livro, embriagado pela clareza do autor, leu sem perceber durante toda a noite, 334 páginas, sentindo uma doce alegria em seu espírito. Uma nova vibração o envolvia,
descortinando um novo cenário, o da imortalidade.


Na sexta-feira da Paixão de 1904, Eurípedes convidou seu amigo Jose Martins Borges para irem assistir a uma sessão espírita em Santa Maria, com o objetivo de observar tudo. Admirou-se ao ver homens incultos assumirem a grande responsabilidade da difusão do evangelho. Um pensamento vibrava-lhe na mente; resolveu fazer um pedido mentalmente: “-Tudo compreendi na Bíblia, mas o meu entendimento está fechado para as bem-aventuranças. Se é verdade que os Espíritos se comunicam com os vivos, rogo a João Evangelista,
que me esclareça pelo médium Aristides.”


Em um tempo curto, iniciou-se a grande e extraordinária explicação filosófica-doutrinária. O Espírito comunicante: João Evangelista. Eurípedes, emocionado, foi tocado. Estava convicto da verdade trazida pelos Espíritos, compreendeu o Sermão da Montanha, como resumo da doutrina do Cristo.


Na segunda reunião, o médium Sinhô Mariano transmitiu a apalavra serena e orientadora do Dr. Bezerra de Menezes. A entidade amiga, conhecedora da capacidade de Eurípedes, convidou-o a tomar lugar entre os médiuns, afirmando sua faculdade curadora. Logo após, seu benfeitor, Vicente de Paulo, orientou-o a abandonar, sem  pesar e sem mágoa, o seu cargo na congregação, convidando-o a criar outra instituição, cuja base seria o Cristo, o diretor espiritual seria Vicente de Paulo e Eurípedes, o comandante material.


Certa noite, viu-se em prodigiosa volitação; viajou à maneira de um pássaro teleguiado, até que se reconheceu em campina verdejante. Reparava na formosa paisagem quando, não longe, avistou um homem que meditava, envolvido por doce luz. Como que magnetizado pelo desconhecido, aproximou-se, trêmulo e, deslumbrado de júbilo, reconheceu-se na presença do Cristo. Recordou as lições do Cristianismo, os templos do mundo, as homenagens prestadas ao Senhor, na literatura e nas artes, e a mensagem d’Ele a ecoar entre os homens, no curso de quase vinte séculos...e chorou. Viu que Jesus também chorava e traspassado de súbito sofrimento, por ver-lhe o pranto, desejou fazer algo que pudesse reconfortar o amigo Sublime. Recordou os tormentos do Cristo,
a se perpetuarem nas criaturas que, até hoje, na Terra, lhe atiram incompreensão e sarcasmo...
Nessa linha de pensamento, não se conteve e perguntou:
-Senhor, por que choras? Choras pelos descrentes do mundo?
Jesus correspondeu-lhe o olhar e respondeu em voz dulcíssima:
-Não, meu filho, não sofro pelos descrentes aos quais devemos amor.
Choro por todos os que conhecem o Evangelho, mas não o praticam....
Eurípedes não soube descrever o que se passou, foi como se caísse em profunda sombra, ante a  dor que a resposta lhe trouxera. Acordou no corpo da carne. Era madrugada, levantou-se e  não mais dormiu. Desde então, entregou-se aos  necessitados e doentes, sem repouso sequer de um dia, servindo até à morte.
Sentindo-se desapontado em toda parte, buscava os campos próximos da cidade com o Evangelho Segundo o Espiritismo à mão, e lia as lições do Senhor em voz alta, como se quisesse fixar em si,
as luzes do Cristianismo Redivivo.


Os novos serviços de Eurípedes atraíam numerosas pessoas, em busca do socorro amigo, que o jovem proporcionava a todos, gratuitamente. Por isso mudou-se para a nova residência, onde realizaram-se os primeiros trabalhos mediúnicos, após sua conversão. Em 27/01/1905, na residência de Eurípedes é fundado o Grupo Espírita Esperança e Caridade.
Após a conversão ao Espiritismo os companheiros do Liceu o abandonaram, o mobiliário escolar fora retirado e o prédio requerido por seus proprietários. Após  um planejamento rápido, ficara assentado o aluguel de uma sala de aula junto ao antigo colégio da professora Ana Borges, fechado desde 1885. No frontispício da porta de entrada lia-se “Liceu Sacramentano”. Eurípedes formou um novo corpo de professores, eram ministradas aulas de botânica, geografia, história, matemática, francês, português, anatomia, zoologia, astronomia, química, física e às quartas-feiras das 10 às 12, religião para os alunos de todas as classes (aulas ministradas pelo professor Eurípedes). Mas os alunos escasseavam, dada a sua nova orientação religiosa. Abatido, Eurípedes, durante ardorosa prece, recebeu uma mensagem de Maria de Nazaré, sugerindo que mudasse o nome do Liceu Sacramentano para Colégio Allan Kardec e que ela, a mãe de Jesus, protegeria a instituição com o manto do seu amor. Assumindo com clareza a orientação, foi assim criado o primeiro colégio Espírita do mundo (31/01/1907).


Eurípedes foi membro da Câmara Municipal de Sacramento por dois triênios, época em que a cidade recebeu os maiores benefícios. Vereador,  conciliou sua participação no Legislativo com as excelsas tarefas nos campos mediúnico, educacional e de assistência aos enfermos.


Em meados de outubro de 1918 a epidemia “influenza” alastrou-se por Sacramento e localidades vizinhas, impondo a Eurípedes e seus dedicados colaboradores, muito trabalho. Em 22 de outubro, Eurípedes ficou febril. Durante três dias não abandonou seu posto, junto dos enfermos, inclusive familiares. Mas ele não quis parar de trabalhar, socorrendo os outros. Com febre alta, roxo e cansado, Eurípedes receitava e orientava os serviços da farmácia. Na noite de  31 de outubro de 1918, ele começou a entrar em estado de coma, mas teve tempo de pedir um banho. Após o banho, conduzido ao leito, adormeceu e, quando abriu os olhos, sorrindo disse: “Graças, Senhor, estou salvo!”. Assistido por sua mãe, respirando com dificuldade, disse: “Se tiver de fechar a farmácia, feche-a, mas não o colégio..”No dia 01 de novembro de 1918, às 6 horas da manhã desencarnou Eurípedes.



Bibliografia:
Eurípedes – O Espírito e o Compromisso, pelo Espírito Corina Novelino, por Alzira Bessa Amui
Eurípedes, o Homem e a Missão – Corina Novelino
Eurípedes Barsanulfo , O Apóstolo da Caridade – Jorge Rizzini.